O projeto Algaravia: uma documentação audiovisual da literatura contemporânea em Santa Catarina tem como objetivo a realização e distribuição de uma série de três vídeos documentais curtos, cada um trazendo um poeta ou escritor que atualmente vive em território catarinense recitando obras de sua autoria no espaço urbano, bem como discutindo sua poética e seu trabalho. Cada episódio é um encontro entre a voz do autor, o texto literário e a cidade. Esta última, assim como o corpo do autor, se transforma em plataforma expressiva, e a câmera, em mediadora entre a literatura e o espectador.
Apresentar um retrato da produção literária contemporânea do estado, ainda que sem buscar um panorama completo ou exaustivo, foi o que guiou a proposta, que almeja também valorizar os autores através de registros audiovisuais e ampliar o acesso à literatura para além dos lugares a que ela fica restrita. O projeto buscou garantir a participação de autores de diferentes origens, territórios e grupos sociais.
Se um dos significados de “algaravia” é “confusão de vozes”, podemos desdobrar a partir daí a proposta de Algaravia: uma documentação audiovisual da literatura contemporânea em Santa Catarina. Confusão como desordem em um sentido positivo – pois não existe criação sem caos, e a “desordem” da literatura e da poesia se contrapõe à palavra de ordem dos discursos dominantes e do senso comum. Confusão como amálgama, multiplicidade complexa de vozes forjadas em diferentes contextos, que trabalham temas a partir de suas histórias, e com dicções poéticas/literárias muito características.
Algaravia tem relação direta com a voz, ou seja, o projeto passa essencialmente pelo recitar, pelo articular do texto através do corpo do autor, entendendo a leitura como prática que desloca e reconfigura sentidos. No recitar, que exige ouvidos atentos, as palavras ganham corpo e amplitude. Assim, o projeto busca possibilitar que essas vozes poéticas que que hoje produzem em território catarinense alcancem e instiguem o público por meio da dinâmica da documentação audiovisual, explorando as articulações, contradições e tensões entre as linguagens.
“Meu nome é Mariana Berta, sou artista visual e professora de artes na rede básica de educação. Tenho uma trajetória marcada pela pesquisa e produção artística em torno da agricultura familiar e do campesinato brasileiro a partir da intimidade com esse território, suas materialidades e subjetividades.
Em meu percurso forjei trabalhos artísticos para salões paroquiais de comunidades do interior e também para o Museu de Arte Moderna de São Paulo e me encanta criar um espaço experimental entre arte e escrita a partir do flerte entre linguagens.
Minha relação com a palavra se dá a partir da corporalidade e minha forma de escrever acontece sobretudo entrelaçada a uma forma de escutar. Escrevi o livro Sagu 2018, Editora editora), o livro Sermão das Criaturas Subterrâneas (2022, Ouriço edições), sou uma das poetas do livro Evasões Poéticas (2024, Editora Humana) e possuo uma série de publicações virtuais de textos e poemas, entre eles “A flor da Polaca” de 2021, “Geografias Lácteas” em 2023, “Pentear teus cabelo”, 2024 e ‘Decorar os nomes’ de 2025.”
Marcelo Labes é poeta e prosador. É autor de Memória do Chão (Companhia das Letras, 2025), e dos livros “Deus não dirige o destino dos povos” – Prêmio Cruz e Sousa em 2025, “Amor de bicho”, “O nome de meu pai”, “Três porcos” – Prêmio Machado de Assis em 2021 e “Paraízo-Paraguay” – vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2020 -, todos pela Caiaponte Edições. Enclave (Patuá, 2018) foi finalista do Prêmio Jabuti em 2019 na categoria Poesia.
Giovani Baffô é poeta e articulador cultural. Radicado em Florianópolis, é cria da Favela do Morumbizinho, em São Paulo, e construiu sua trajetória a partir da circulação autônoma de textos em fanzines, saraus e ações culturais. Foi camelô, de calça jeans a poemas, e idealizador de iniciativas como o Jornal De Boa e o Menor Sarau do Mundo. Sua produção é marcada pela oralidade, pela experiência urbana e pela palavra enquanto ato de presença.
Proposta executada pelo Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Política Nacional Aldir Blanc.